Santa Catarina

Padre Pedro coordena audiência pública sobre fechamento de agências bancárias em SC

Comissão foi formada para elaborar propostas legislativas para garantir permanência do atendimento presencial

ícone relógio06/08/2026 às 12:00:00- atualizado em  
Padre Pedro coordena audiência pública sobre fechamento de agências bancárias em SC

O deputado estadual Padre Pedro Baldissera coordenou, na quarta-feira (5), uma audiência pública na Assembleia Legislativa (Alesc) para discutir os impactos do fechamento de agências bancárias no estado.

Promovido pela Comissão dos Direitos do Consumidor, o encontro reuniu representantes de entidades sindicais, trabalhadores do setor financeiro, especialistas e autoridades, e teve como principal encaminhamento a criação de uma comissão para elaborar propostas legislativas que garantam a permanência de agências e do atendimento presencial nos bancos.

Para Padre Pedro, a modernização dos serviços financeiros não pode significar exclusão de milhares de catarinenses que dependem do atendimento presencial. O parlamentar destacou que idosos, moradores de pequenos municípios, agricultores e pessoas com dificuldades de acesso às ferramentas digitais são os mais prejudicados com o fechamento das unidades bancárias.

"A tecnologia é importante, mas não substitui o atendimento humano. Precisamos garantir que ninguém seja deixado para trás por causa da digitalização dos serviços", defendeu.

A audiência foi solicitada pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC), que vem denunciando os efeitos da redução da rede bancária no estado.

Segundo o secretário-geral da entidade, Marco Aurélio Silvano, os bancos utilizam o avanço da digitalização como justificativa para fechar agências e reduzir postos de trabalho, embora muitas situações continuem exigindo atendimento presencial.

"Operações de crédito, casos de fraude e o atendimento de pessoas que não têm acesso à internet ou apresentam dificuldades com aplicativos dependem de profissionais qualificados e de agências abertas", afirmou.

Silvano também chamou atenção para a sobrecarga enfrentada pelos bancários e questionou se a migração para os canais digitais representa realmente uma escolha dos clientes ou uma imposição das instituições financeiras.

 

Redução do atendimento presencial

O presidente do Sindicato dos Bancários da Grande Florianópolis (Sintrafi), Cleberson Eichholz, reforçou a necessidade de criar leis que obriguem os bancos a manter atendimento presencial, especialmente para proteger a população mais vulnerável.

Já o representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), Gustavo Tabatinga, sugeriu ainda que o poder público estadual priorize operações financeiras com instituições que mantenham uma rede adequada de agências.

Durante a audiência, o economista do Dieese, Gustavo Cavarzan, apresentou um panorama da redução da estrutura bancária em Santa Catarina. Segundo ele, nos últimos dez anos o estado perdeu 40% das agências bancárias e 30% dos postos de trabalho no setor.

Atualmente, 44% dos municípios catarinenses não possuem agência bancária, realidade que afeta mais de 600 mil pessoas. O economista alertou que a diminuição do atendimento presencial compromete a economia local, prejudica pequenos empreendedores, dificulta o acesso ao crédito e contribui para o aumento do endividamento da população.

Ao encerrar a audiência, Padre Pedro reafirmou o compromisso da Assembleia Legislativa em acompanhar o tema e buscar soluções que conciliem o avanço tecnológico com a garantia do direito da população ao atendimento presencial. Segundo o deputado, o acesso aos serviços bancários é um direito essencial e não pode ser restringido em nome da redução de custos das instituições financeiras.