Santa Catarina

Luciane faz balanço da gestão da educação, critica governo e aponta desafios em SC

Deputada defendeu mais investimentos, valorização dos professores, gestão democrática nas escolas e mudanças no ensino médio

ícone relógio15/07/2026 às 12:00:00- atualizado em  
Luciane faz balanço da gestão da educação, critica governo e aponta desafios em SC

Luciane faz balanço da gestão da educação, critica governo e aponta desafios em SC

A deputada estadual Luciane Carminatti (PT) fez um balanço crítico da educação pública de Santa Catarina, hoje (15), ao afirmar que o Estado precisa de "outros olhares" para o setor. Em pronunciamento na Assembleia Legislativa, chamou a atenção para o momento de conclusão de um governo do Estado que vai para as urnas nas eleições deste ano.

A deputada defendeu mais investimentos na educação básica, valorização dos professores, fortalecimento da gestão democrática nas escolas e mudanças na política para o ensino médio.

Presidente da Comissão de Educação e Cultura da Alesc e professora, Luciane afirmou que, apesar de Santa Catarina ser frequentemente apontada como um dos estados com melhor desempenho educacional do país, a realidade vivida por professores, estudantes e famílias revela problemas e desafios que seguem sem enfrentamento efetivo e sem solução.

"O problema central da educação catarinense não é falta de diagnóstico, mas a falta de gestão estratégica, de planejamento e de continuidade das políticas públicas", afirmou.

A deputada questionou a política de contratação de professores da rede estadual. Ela lembrou que o governador de SC fez uma grande propaganda anunciando o maior concurso público da história da educação catarinense, com 10 mil vagas, mas argumentou que a iniciativa não reduziu o número de professores admitidos em caráter temporário (ACTs).

Para ela, o desafio é ampliar a oferta de cargos com jornada de 40 horas, garantindo melhores condições de trabalho e maior estabilidade aos profissionais.

“Porque 10 mil vagas para 10 horas é uma coisa, mas nenhum professor ganha tão bem que consegue trabalhar somente com esta carga horária. Agora temos um segundo concurso e eu já questionei se será um chamamento de 10h, 20h, 30h ou 40h.” 

 

Remuneração do magistério

Outro ponto destacado pela deputada foi a remuneração do magistério. Luciane afirmou que, apesar do crescimento da arrecadação estadual, os salários dos professores continuam entre os mais baixos do país. "Santa Catarina tem uma receita crescente, mas a remuneração dos professores permanece limitada ao piso nacional. Só tem quatro estados no Brasil que tem pior remuneração do que a nossa", criticou.

Em relação ao ensino médio, a deputada disse que as constantes alterações no currículo têm gerado insegurança nas escolas e não dialogam com a realidade dos estudantes, especialmente daqueles que precisam conciliar estudo e trabalho. “Visitei todas as escolas públicas estaduais, algumas duas ou três vezes e o que eu encontro é o desespero dos educadores porque tem lá um novo ensino médio que muda a cada ano, mas não escuta a juventude, o estudante trabalhador.”

Ela cobrou a retomada da Bolsa Ensino Médio, criada no governo Carlos Moisés, cujo prazo de vigência expirou no fim do ano passado e salientou que há um projeto de lei parado na gaveta da Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Alesc onde a deputada provoca o alargamento do prazo.

Segundo a parlamentar, a ausência desse incentivo financeiro contribui para a evasão escolar. Ela destacou que muitos jovens acabam abandonam os estudos para ajudar no sustento da família e citou o programa federal Pé-de-Meia como exemplo de política pública que tem contribuído para reduzir a evasão escolar entre estudantes do ensino médio.

“Em Santa Catarina tem 60 mil jovens incluídos e no Brasil já diminui 43% o índice de evasão.”

 

Liberdade pedagógica

Luciane também voltou a defender a liberdade pedagógica nas escolas ao abordar o debate sobre violência contra a mulher e igualdade de gênero. A deputada criticou uma lei estadual que condicionava esses debates à autorização dos pais, posteriormente derrubada pela Justiça. Segundo ela, muitos professores passaram a ter medo de abordar temas relacionados aos direitos das mulheres e ao combate à violência.

"A escola é o espaço da proteção, da educação e da reflexão. Se não é a escola que faz esse debate, quem fará? As redes sociais que pregam o movimento red pill, de ódio contra as mulheres?", questionou.

Segundo Luciane, Santa Catarina chega ao período eleitoral com muito que fazer na educação, desafio que une a esquerda, a direita, o centro, todos precisam estar aliados. 

“Defender a educação não é uma questão partidária, mas um compromisso com o maior direito que o ser humano tem que é a possibilidade de mudar de vida", concluiu.