Luciane aciona MP contra lei que proíbe debate sobre igualdade de gênero nas escolas de SC
Deputada classifica a nova legislação como "aberração" e "censura", destacando riscos no combate à violência contra mulheres e crianças

Luciane aciona MP contra lei que proíbe debate sobre igualdade de gênero nas escolas de SC
A deputada estadual Luciane Carminatti subiu o tom contra a recente legislação sancionada em Santa Catarina que permite aos pais proibirem a participação de seus filhos em atividades escolares que abordem questões de gênero e igualdade. Em uma representação enviada ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a parlamentar busca derrubar a medida, que ela define como um retrocesso civilizatório.
A lei trata como “atividades pedagógicas de gênero” temas como identidade, orientação sexual, diversidade e igualdade, assuntos presentes no cotidiano social e que, inevitavelmente, atravessam o ambiente escolar e tem gerado debates acalorados entre educadores que alegam que a medida fere a autonomia pedagógica e os direitos humanos garantidos pela Constituição Federal. “Na prática, "sufoca" esse debate e permite o silenciamento de temas educativos fundamentais”, ressaltou.
A deputada argumenta que a lei ignora estatísticas alarmantes: cerca de 81% dos casos de violência contra a mulher em Santa Catarina ocorrem dentro de casa. Segundo ela, ao restringir o ensino sobre igualdade de gênero nas escolas, o Estado retira das crianças e jovens uma ferramenta essencial de autoproteção e conscientização.
"A prioridade da extrema-direita é censurar professores, enquanto a violência real acontece dentro do lar", afirmou. "Ensinar que mulheres devem ser respeitadas e protegidas agora pode ser proibido por um pai, o que é um absurdo em um estado com números recordes de feminicídio."
A deputada também rebateu o uso do termo "ideologia de gênero", frequentemente utilizado por setores da extrema-direita, classificando-o como uma "bobagem" e uma narrativa mentirosa usada para desviar o foco dos problemas reais de segurança pública.
Ações em Curso
Além da representação no Ministério Público, a deputada destacou que continua trabalhando em outras frentes. Ela citou a aprovação de leis que incentivam a reeducação de homens, trazendo-os para o centro da discussão sobre o fim da violência doméstica, visando a não repetição de agressões.
"Enquanto eles tentam proteger o silêncio, a gente trabalha para garantir que o ambiente escolar seja um espaço de respeito e proteção. Vamos derrubar essa aberração", afirmou.
Foto: Rogério Corrêa/Agência Alesc


